Passando os olhos pelo jornal O Globo ontem vi o que tá se passando com a população original do nosso Brasil: A FUNAI está mantendo alimentos estocados enquanto índios passam fome. Chorei. Desde há muito os governantes desse país continental vêm cometendo contra os indígenas as maiores agruras possíveis e imagináveis. Até o final do século XVII, a língua “oficial” do Brasil era o Tupi-guarani misturado com português. De cada três brasileiros, dois só falavam Tupi-Guarani. Mas em 1759, sobre influência do Marquês de Pombal, o governo português baixou um decreto proibindo o uso do idioma “híbrido” ao qual imbutia a acusação de que estava prejudicando as comunicações na colônia brasileira e impondo punições para quem não usasse o idioma português. Foi assim que, à força, o tupi-guarani foi tirado de circulação ao longo do tempo. Se não houvesse essa medida, o Brasil seria um país bilíngue cuja população usaria o português e o tupi-guarani, tal como hoje ocorre no Paraguai em que o povo de lá exprime-se em espanhol e guarani, uma língua parente do Tupi.

Mas, como?! Quando os Lusitanos cá chegaram os bugres já tinham domínio da terra. O que reinava deste lado do Atlântico eram a cultura, a culinária, a medicina silvícola. Os costumes em geral eram todos resultados de eras de ocupação territorial dos verdadeiros e originais nativos americanos.
E a língua era deles, também. Os que se chegavam iam aprendendo e repassando às gerações futuras não os costumes selvagens, é óbvio, mas o interessantíssimo idioma que hoje só alguns podem dominar graças aos esforços do Professor Eduardo Navarro, que hoje já ensina o Tupi aos índios da Paraíba que perderam sua cultura.

Mas agora os que já não falavam, não comem. São cerca de 27 toneladas de alimentos estocadas há 19 dias, período em que já morreram 21 indiozinhos de desnutrição. E, pior: A FUNAI diz que não tem gente pra embalar; o governo federal diz que nem sabia do estoque. Vergonha. Jogo-de-empurra. Shame on You. E os curumins morrendo, de boca aberta.
Nós chegamos, eles já estavam. Nós aprendemos muito e ainda temos bastante que ver com a sabedoria das selvas. Depois, nós é que somos civilizados…
Índio é gente.
E, como diria o Sr Caetano Emanuel Vianna Telles Veloso:
“Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome.”

O TOC na telinha

9 maio, 2005    Categoria: Blah blah blah   Nenhum Comentário »  

Cenário: Programa Altas Horas
Protagonista: Uma pós-adolescente, pseudo-formadora de opinião, supostamente pós-portadora e curada de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo).

¿Alguém viu? Eu vi. E notei que neste mundo neurótico e à beira de um ataque de nervos os papéis estão cada vez mais invertidos.

O quadro é de entrevista a um convidado mas daí a propor que as respostas da moça fossem parâmetro pra resolver as dúvidas da platéia, já foi além. O apresentador insistia em dirigir todas as perguntas do público (por sinal inteligentes em sua maioria) à moça que definitivamente não parece curada do mal que a assolou na adolescência. E digo com cátedra. Notaram a forma repetitiva que a moça tentava concatenar as idéias face as perguntas sobre o que sentia, como pensava, como agia e como era prejudicada em seus estudos? Confusão total. Obsessão latente. TOC. Um mal terível, é fato. E que acomete cada vez mais gente, até os reis como o do Brasil, Roberto Carlos.

A entrevista beirava o tédio. Foi então que alguém no ponto eletrônico do magnífico Serginho Groisman deve ter berrado: “A Psiquiatra!” “Dirija as questões técnicas para a Psiquiatra!” E assim ele fez. Ainda bem. Uma profissional capaz e com opinião abalizada pra falar com conhecimento de causa do assunto. Em 2 ou 3 comentários ela liquidou a fatura. Com direito até a um corte após a paciente, digo, entrevistada, responder algo perguntado baseada na própria opinião.

É preciso termos muito cuidado com as informações que nos são passadas indiscriminadamente. Sobretudo nos meios de comunicação em massa; e os assuntos veiculados pela TV são algo que, muitas vezes, tomamos em doses cavalares e nem nos damos conta de que nossa opinião pode estar sendo lavada. Para assuntos técnicos os profissionais estão aí, à nossa disposição. Quando o papo é clínico então, busquemos a opinião de uma gente que não gastou quase uma década de estudos em vão.

Mas, felizmente a coisa terminou acertada. Palmas ao diretor do programa. E a Psiquiatra da moça também. Tudo resolvido, a esquizofrenia televisiva curada, todos os deuses que protegem a Psicanálise dormiram em paz. Freud deitou a cabeça com tranqüilidade. Jung tomou um copo de leite morno, calçou as chinelas e descansou.

Dia desses, lendo o Dimenstein, um dado me chamou a atenção: O IBGE constatou que os judeus brasileiros têm um nível de renda, escolaridade e expectativa de vida superior ao dos noruegueses, os campeões mundiais de desenvolvimento humano.

Pra entender: O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é composto de três critérios: expectativa de vida, renda e escolaridade.

Nenhuma nação bate a Noruega.

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