TV, vodkas & corujão
5 setembro, 2005 Categoria: Blah blah blah 5 Comentários »
Tenho assistido TV demais. Talvez menos do que fazia quando piá em PoA, mas um pouco demais pra um fulano com afazeres até a tampa. A Vivi acha que é um surto a mais; eu replico que é pra resistir às madrugas repletas de papelada e muita, muuuita vodka. 
É até meio difícil de crer pra quem não dispensa uma rua, mas tenho visto que tem uma galerinha que deixa de sair à noite pra passar a madrugada assistindo uns filmetes na TV.
Mas, até que após as 2:00 rola uns lances legais. Aí une-se o útil ao agradabilíssimo: Não durmo cedo, geralmente não há cinemas 24hrs, a Blockbuster ainda não é paixão nacional; resultado: diversão a um click e alguns cm de distância! E tome papel… E mais uma dose…
Aí tem o Corujão, que sempre foi lugar comum entre zumbis televisivos. E acho muito apropriado. Lembro que em épocas de Nikity era facu, Plaza (ou churrasquinho de gato), e caminha. Feliz e sossegado. Mas nunca antes de uma conferida na telinha. Todo dia tinha a hora da Sessão Coruja. Ah, se tinha. Mesmo que fosse pra ver o Charles Bronson com Desejo de Matar; e matou foi gente viu!
Agora as emissoras entraram numas de passar o que há de melhor, o filé, madrugada a dentro. Pra quem curte cinema de qualidade DEVE ficar acordado. Intercine e Tela Quente (que já chegou a exibir algumas pérolas) a gente deixa pros teens. Virou água com açúcar. Imagina assistir, babando, “Gilda”, com Rita Hayworth e tudo o mais às 4 da matina! É o que há! Já ouvi falar de umas trupes que estão fazendo sessões noturnas com cervejinha nos intervalos, tira-gosto e outros bichos mais. Vou aderir, mas se tiver uma Absolut pra aliviar a tensão, melhor ainda.
E o currículo vai aumentando. “Casablanca”, “Ruas de Fogo”, “Olhos de Serpente” do Abel Ferrara, “Festim Diabólico” ou “Psicose” do Hitchcock e por aí vai. E olha que não é coisa só da Globo, não. Os insones anônimos também têm sessão garantida no SBT, na Band e tal.
Já viu, algum dia, o Cine Belas Artes? Sábado à meia-noite. Só a nata de produções européias e yankees independentes. “Abre los Ojos”, conhece? Não? Mas o “Vanila Sky” (aquele com o Tom Cruise) você já deve ter aturado. Detesto esse último. Mas esse veio daquele. E aquele é coisa fina. Artigo de prateleira de cima. O tal Belas Artes já andou brindando os morceguinhos com umas coisas do Vicente Aranda, tipo “Paixão Turca” e outros bichos, coisa que nem na “Block” tá se achando.
Dia desses no Cine Band Clássicos (pra quem delira com P&B, é o canal) deu “Assim Caminha a Humanidade”; no Fim de Noite, uma segunda-feira magrinha dessas passou o inesquecível “O Dia em Que a Terra Parou”, de 1951.
Lembra do robô, o Gort? Tosco, quadradão, né? Mas o roteirista previu o futuro como poucos. Sempre me vem à mente o diálogo entre Klaatu (Carpenter) e o garotinho da casa onde ele se hospeda brincando de autorama, e Klaatu se despedindo dizendo: “ – Depois te conto de outro tipo de trem, que não precisa de trilhos”.Se tivesse outra sessão eu assistia. Depois da corridinha na cozinha e uma outra Absolut. E passava o resto da noite repetindo Klaatu Barada Nikto. E o disquinho do Ringo Starr bem baixinho.
E tem pra todos os gostos mesmo. Até porque pode ser que você fique de pé até as tantas pra seguir aquela seqüência de “Emanuelle” no Cine Privê, da Band. Mas cuidado: os bandeirantes também costumam repetir aquelas tosqueiras do Canal Playboy que me dão a impressão de não ter empregado roteirista algum. Mas, tudo bem. Gostos são variados. Há os que ficam no MSN jogando aquela conversa fora. Opções.
Pena que ainda não há exibição à altura dos nacionais. Deus conserve o “Cadernos de Cinema” da TVE até os nossos filhos. Afinal, sem Glauber ou Hugo Khouri (entre tantos outros) os cinéfilos brazucas tresnoitados não seriam os mesmos.