De como esquecer a cultura
25 março, 2006 Categoria: Blah blah blah 4 Comentários »
Reapareceu na Biblioteca Mário de Andrade um expediente de três folhas que deveria ser exposto nas principais casas de livros do país. Foi achado em 2001, mas retornara ao arquivo carregando de volta seu mistério. Uma linda história, com final triste.
No dia 6 de abril de 1964, 48 horas depois da chegada do presidente deposto João Goulart a Montevidéu, uma pessoa entrou na Biblioteca Mário de Andrade, no Centro de São Paulo. Carregava duas maletas e as deixou na portaria. Ficaram lá durante 20 dias, até que um zelador as abriu. Continham 32 livros.
Naqueles dias as forças de ditadura apreendiam livros (inclusive o romance “O Vermelho e o Negro”, de Stendhal) e filmes (“Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha), fechavam rádios e jornais. Muita gente jogou parte de sua biblioteca no lixo, mas o personagem das maletas teve uma idéia que encantaria o escritor Jorge Luís Borges.
Não tomou medo de seus livros. Sentindo que não podia mais guardá-los, decidiu deixá-los onde alguém cuidasse deles. Abandonou-os na portaria da maior biblioteca pública da cidade e voltou para casa.
Assim, sobreviveriam às dificuldades do momento. Como Chico Buarque de Holanda diria mais tarde: “Vai passar.”
Nada se sabe da figura. Lia em italiano, espanhol e inglês. Oito obras de Marx e Lênin, bem como dois exemplares da revista “Problemas da Paz e do Socialismo”, informam que era comunista. Um livro de Andrei Zhdanov, o comissário cultural de Stalin, sugere que tivesse mais de 50 anos.
Gostava de cinema, pois tinha dois boletins dos “Amigos da Cinemateca”, de Dante Ancona Lopes. Um volume de “O Direito Soviético”, de Benjamin de Oliveira Filho, indica que talvez fosse advogado. Parece ter conservado seus romances russos, pois abandonou apenas os volumes intitulados “Literatura Soviética”.
O zelador encarregado da portaria (Salvador Finotti) comunicou o achado das maletas e recebeu ordens do chefe da Divisão Cultural 2 (Francisco José de Azevedo) para listar as obras, juntando uma cópia à biblioteca abandonada.
Final triste: O atual diretor da Mário de Andrade, o advogado Luís Francisco da Silva Carvalho Filho, pediu que se buscasse no catálogo da Casa os volumes sobreviventes. Não os há. O comunista de 1964 certamente já se foi. Felizmente, sem saber que não adiantou nada.
Restou só a história de sua paixão.
Mundo ao Leo
23 março, 2006 Categoria: Blah blah blah Nenhum Comentário »
Já tá no ar uma nova opção para os cinéfilos de plantão. É o blog Mundo ao Leo do nosso amigo Leonardo Soares.
Pra quem curte uma boa película e quer ficar antenado com os novos lançamentos do mundo da telona vale dar sempre uma passadinha por lá.
O Leo pretende divulgar as sinopses dos mais variados gêneros e vai dar boas dicas pra quem quer se divertir no cinema sem medo de errar.
Mas não fica só no papo de cinema. O cara vai falar de tudo um pouco: livros, cinema, vida, música, entretenimento e cultura geral.
Bagagem pra isso, o Leo tem.
Tá dado o recado. Agora vai lá.
Islã
16 março, 2006 Categoria: Blah blah blah Nenhum Comentário »
O filósofo muçulmano Tariq Ramadan (Ramadan?) disse que a ponte entre o ocidente e o Islã é possível e desejável. “Se o Islã e o Ocidente partirem para o choque de civilizações, os dois lados sairão derrotados”.
E o que aconteceria se o Islã partisse?