A Dança

27 março, 2006    Categoria: Política é o fim    3 Comentários »  

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Desde criança aprendemos a berrar quando estamos com fome, berramos quando nos sentimos sujos, com “sujeira” causada por nós mesmos e berramos quando sentimos qualquer tipo de dor e esta é, foi e será sempre a forma de nos expressarmos desde que nascemos.

Um dia nós crescemos.

Nossas vidas se modificam e acabamos aprendendo que somos criminosamente obrigados a nos calar, pois aquele berro por nós dado quando ainda éramos crianças, hoje, poderia nos causar a perda de um emprego, a perda de um amor, ou pior que isso, a perda de nossa liberdade e por assim ser, o povo acaba se acovardando e mesmo se sentindo sufocado, fecha-se no seu pequeno reduto interior e fica remoendo a vontade de sair por aí gritando e berrando contra tudo o que há de errado.
Talvez berremos mais do que devíamos e por isso, ainda acabamos sendo punidos justamente por aquelas pessoas que deveriam ser banidas da vida pública e inclusive das fronteiras de nossa pátria, para nunca mais retornar; contudo nem a certeza, quem sabe, de uma punição futura, nos deve fazer calar diante do que vemos acontecendo em nosso amado e estuprado país.

Digo isso, porque sinto-me enojado por ver a impunidade tomando conta de tudo e de todos, sem que ninguém faça nada, pois a oposição ao desgoverno PeTônico, se é que existe, acabou se transformando em algo tão covarde como o temeroso empregado na frente do seu cruel patrão.
Enojei-me ainda mais ao ver que tão logo ficou claro aos primeiros minutos que a Câmara do Deputados salvaria o mandato do deputado João Magno(que é do partido PeTônico do estado das Minas Gerais), parlamentoso que indignamente é um dos representantes deste sofrido povo, e que foi formalmente acusado de ter recebido dinheiro ilícito de Marcos Valério, a deputosa também PeTônica, Ângela Moraes Guadagnin, indigna representante do estado de São Paulo protagonizou uma inesquecível cena de total e completo desrespeito, não só com os seus idióticos eleitores palhaços, bem como para com toda a nação brasileira.

Simples e descaradamente, ela, deputosa Ângela Guadagnin, deixou o lugar onde estava sentada nas primeiras fileiras à esquerda do plenário e saiu dançando para manifestar sua alegria com a absolvição do colega de partido.

Mas quem é esta indecorosa representante do povo ???

Ângela Guadagnin, não é uma pessoa leiga em leitura, ao contrário disso, ela é médica pediatra, foi prefeita da cidade de São José dos Campos entre 1993 e 1996 e está exercendo pela segunda vez o mandato de deputosa federal.
Esta senhora desde que pipocou o escândalo do mensalão (aquilo que segundo o cego, surdo e mudo presidente Dom Luiz Ignácio XIII nem existe), tem se notabilizado por tentar desavergonhosamente livrar a cara dos seus colegas do Partido dos Trambiq…, quer dizer, Trabalhadores, denunciados ao Conselho de Ética da Câmara e sujeitos à cassação por quebra de decoro parlamentar, pois sempre, convenientemente pede vistas dos processos para retardar sua tramitação e obviamente vota pela absolvição de todos.

A dança desta deputosa em pleno plenário da Casa do Povo, dá a noção exata da absoluta falta de vergonha e da falta de respeito para com todos nós, que contaminou a Câmara dos Deputados.
Apenas para recordar, dos 19 marginais envolvidos no esquema “inexistente” do mensalão, apontados pelas CPIs dos Correios e da Compra de Votos, 11 já escaparam da condenação, sendo 4 porque renunciaram e poderão ser candidatos este ano, 7 porque foram absolvidos, graças a providencial “ajuda” de uma “senhora” que surgiu do anonimato e que agora se transformou na pior espécie em se tratando de como somos tratados, todos nós idióticos eleitores palhaços.

Nessa altura me recordo de um rapaz que se foi há 10 anos e que faria hoje 46 anos: Renato Manfredini Júnior, que numa de suas letras sapientíssimas disparou:

…você nunca dançou com ódio de verdade.

Você é tão esperto.
Você está tão certo
Que você nunca vai errar.
Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado se um dia você dançar…

É, Renato. Tá russo aqui.
Renato Russo 1960 - 1996


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3 Comentários para “A Dança”

  1. Alexandre disse:

    A dança desafinou mesmo no planalto. O cara tá fazendo falta

  2. Tata disse:

    Trocadilho infame…rs
    Pior do que esse só o gif desanimado…
    Amo!!!

  3. Raphael Aguiar disse:

    ah famosa dança da pizza, tenho raiva dessa velha, da vontade de dar uma voadora na cabeça dela

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Perfil de Eduardo Tetera Eduardo Tetera é um andaluz Mestre em PsicoPedagogia e especializado em Etimologia de Línguas Ocidentais.
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