Ontem, na praia via uns garotos e umas meninas de não mais que 14 ou 15 anos.

Era uma garotada saudável, cheia de disposição e muito provavelmente com tudo sob controle na vida.

Aí entra o bicho que me cutucou: na conversa citavam alguns fatos ocorridos recentemente e que pareciam profundamente perturbadores.

Com uma virada de vento pude compreender melhor o teor do papo: ‘problemas’ que os impediam de comparecer a uma festa naquela noite.

O problema era a falta de grana ou de roupa.

Daí pensei numa boa definição para um adolescente:

O adolescente é uma criatura sem problemas, mas cujos mais simplórios empecilhos parecem barreiras intransponíveis”

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são ’seres invisíveis, sem nome’.

Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da ‘invisibilidade pública’, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.

Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: “Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência’, explica o
pesquisador.

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Muitas empresas caíram e caem na armadilha das mudanças drásticas de coisas que não precisam de alteração, apenas aprimoramento. O que lembra a história de duas pulgas.

Duas pulgas estavam conversando e então uma comentou com a outra:

- Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas.

Elas então contrataram uma mosca como consultora, entraram num programa de reengenharia de vôo e saíram voando. Continue lendo este artigo »

Ninguém é insubstituível

10 novembro, 2008    Categoria: Filosofia barata   1 Comentário »  

por Célia Spangher

Em uma sala de reunião de uma multinacional o CEO nervoso fala com sua equipe de gestores. Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um, ameaça: ‘ninguém é insubstituível’.

A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio. Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada.

De repente um braço se levanta e o CEO se prepara para triturar o atrevido:
- Alguma pergunta?
- Tenho sim. E o Beethoven?
- Como? - o CEO encara o gestor confuso.
- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substitui o Beethoven?

Silêncio…

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Estava pensando no que diz a Nancy Sinatra na canção These Boots Were Made For Walking. Num dado momento da canção ela diz: “…one of these days these boots are gonna walk all over you”. Daria um bom artigo a ser publicado na seção Frase do Dia aqui no blog.

Mas a canção vai além e não se resume a uma frase de impacto. Tão instigante quanto a postura sexy de algumas mulheres dos anos 60 é o que toda a letra da canção significa.

Veja:      

You keep saying you’ve got something for me.
something you call love, but confess:
You’ve been messin’ where you shouldn’t have been a messin’
and now someone else is gettin’ all your best.      

These boots are made for walking, and that’s just what they’ll do
one of these days these boots are gonna walk all over you.

You keep lying, when you oughta be truthin’
and you keep losin’ when you oughta not bet.
You keep samin’ when you oughta be changin’.
Now what’s right is right, but you ain’t been right yet.

These boots are made for walking, and that’s just what they’ll do
one of these days these boots are gonna walk all over you.

You keep playin’ where you shouldn’t be playin
and you keep thinkin’ that you´ll never get burnt.
Ha! I just found me a brand new box of matches, yeah
and what he knows you ain’t had time to learn.

Are you ready boots? Start walkin’!

Reparou o refrão?

…one of these days these boots are gonna walk all over you” 

Hein? É ou não é um chute nos bagos do sujeito? É aquela velha história: o carinha crente que tá se dando bem e no final a mulher, sábia como só a natureza, dá o trôco à altura. O homem nasceu pra ser pisado. Um dia a mulher põe a idéia em prática…

Veja o clip da música:

Essas botas servem pra pisar, e é isso que elas vão fazer qualquer dia!

Um menino volta da escola cansado e com fome, e pergunta à mãe:

“Mamãe, o que tem pra comer?”
“Nada, meu filho…”

O menino olha para o papagaio na gaiola, e pergunta novamente:

“Mamãe, porque não comemos papagaio com arroz?”
“Porque não tem arroz.”

“E papagaio assado?”
“Não tem gás.”

“E papagaio na grelha eléctrica?”
“Não temos eletricidade.”

“E papagaio frito?”
“Acabou o óleo.”

E o papagaio contentíssimo gritava: Viva Sócrates !!! Viva Sócrates !!!

Mas,

Você pode não ter uma segunda chance de causar a primeira boa impressão”

Conhecimento é poder. Fingir é arrogante. E errar?

Quando falamos de conhecimento no âmbito individual temos duas situações:

1 - De um lado temos o que a real presença do conhecimento pode provocar (ou deixar de provocar). Aqui a palavra conhecimento significa saber alguma informação privilegiada, conhecer um assunto mais que outros ou mesmo conhecer pessoas e suas qualidades e defeitos mais a fundo para vivermos melhor em comunidade. Isso pode nos dar poder para nos destacar ou o poder de decidir melhor sobre os nossos atos. Continue lendo este artigo »

Boas vibrações…

30 setembro, 2008    Categoria: Filosofia barata   Nenhum Comentário »  

Boas vibrações

Comprei um carregamento inteiro…

Vamos precisar.

Tão pouco para ser feliz…

13 setembro, 2008    Categoria: Filosofia barata   Nenhum Comentário »  

Demócrito, um maravilhoso filósofo grego do século V antes de Cristo, dizia sempre para seus discípulos: “Ocupe-se de pouco para ser feliz” e ressaltava que “muitos afazeres e pressões sobrecarregam o espírito e nos enchem de sombra, levando a pensamentos que escondem as idéias de luz”.

A frase não é somente bela. É bastante útil e prática.

Como tantos outros sábios daquela época, Demócrito respeitava demais a palavra euthymia, que significa tanto o apascentamento da alma para se alcançar a felicidade, quanto o cuidado em não se acumular de necessidades que no fundo não são necessárias assim…

Ontem li umas pequenas citações de Calígula (livro de Allan Massie), onde essa euthymia é sempre citada por Sêneca, e me lembrei da frase do filósofo. Com certeza, por estar reavaliando conceitos, analisando valores e tentando re-ordenar alguns símbolos do meu cotidiano. Foi aí que notei como estamos sobrecarregados de compromissos, deveres, de uma lista interminável de “não posso deixar de”, mesmo num período de férias. (Que, aliás, as pessoas não respeitam). E a perturbação monumental dos e-mails, que surgem às centenas, numa diabólica e interminável seqüência! Como não se agitar com isso? E a obrigação de estarmos magros, “saudáveis”, fazer exercício físico e manter uma alimentação regular?

Quanto às tarefas idiotas, é melhor nem dizer nada: são tão inúteis e nos dedicamos a elas, com afinco. Daí os hiatos de insônia no meio da noite, a ansiedade, a tensão e os resultados no físico, apesar de tantos cuidados e assepsias.

Repensar essa milenar euthymia pode ser fundamental em muitas das pessoas que dedicam a este espaço diário alguma atenção. Sim, porque os que entraram de cabeça e alma na roda da loucura nem vão ter tempo de ler isto aqui. Estão correndo atrás dos compromissos determinados pela mídia, em matar um leão por dia, em não deixar de estar em cima de tudo, de triplicar o rol de suas abundantes necessidades.

Até porque, a descoberta de que precisamos de muito pouco para ser feliz é refrigerante.



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Sobre o autor

Eduardo Tetera é Mestre em PsicoPedagogia e especializado em Etimologia de Línguas Ocidentais.
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